segunda-feira, 14 de março de 2011

Kate Moss e Longchamp – Spring 2011

Kate estrela campanha de mais uma parceria com a marca francesa Longchamp em clima hippie.

Por Marcellus Nishimoto


Vários fotógrafos dizem que miss Kate Moss é uma tela em branco. Nela se pinta as personagens que se deseja. Cria-se a mulher-desejo que representará qualquer marca, campanha, conceito. A verdade é que a longeva carreira de Kate vive em sua incrível capacidade de lidar com a auto-imagem apesar dos reveses de sua vida privada que se tornam sensacionalismo nas mãos dos tablóides. Kate nunca dá entrevistas em público, sem exceções. Somente expõem sua imagem em eventos em conjunto com seu estilo. Sabe que isto já basta e assim cria ainda mais a aura de mistério que outras celebridades detestam manter.

No vídeo da campanha de sua parceria (longa) com a grife francesa Longchamp, miss Moss incorpora a persona-ícone de Brigitte Bardot. Kate lembra e muito a figura de Bardot. Amores e desencontros, sexy e vulnerável, ícone e escândalo. Enfim, Kate continua uma imagem de inspiração. E um avatar melhor do que Bardot não poderia ser mais oportuno. Essa imagem de bombshell francesa de olhar vago e frágil é uma persona que Moss vem há muito tempo explorando.

O clima do vídeo é de costa francesa, sol californiano, 1960-70, batas bordadas, tecidos leves, sandálias rasteiras, perfume hippie, descontração, despreocupação, ao som de Sand de Nancy Sinatra & Lee Hazlewood. Filmado como se fosse um antigo filme caseiro. Recorte de nostalgia, saudosismo, escapismo. A direção é de Alasdair McLellan, e a direção criativa de Lee Swillingham.

Kate Bardot, digo, Moss, após 20 anos de carreira continua inspiração de uma mulher delicada num mundo em que as saias tomam a cada dia as cadeiras de CEO das grandes empresas.


domingo, 13 de março de 2011

Electricity - Orchestral Manoeuvres in the Dark (1979)

No embalo dos anos 1980. 
Hits que fizeram a história da Geração X


por Marcellus Nishimoto






Seguindo a tendência internacional do resgate dos "novos românticos" da década de 1980 iniciamos a sessão nostalgia e postamos o single Electricity do Orchestral Manoeuvres in the Dark. O som dos sintetizadores e a batida eletrônica dava seus primeiros passos a caminho do synthpop /new wave. A música foi lançada originalmente em 21 de maio de 1979, em Manchester, pela lendária Factory Records que também lançaria as bandas Joy Division e New Order.


O fundador e chefe do selo, Tony Wilson, queria regravar a canção Electricity e Almost (lado B do compacto) com Martin Zero, produtor da banda pós-punk Joy Division. Zero produziu as músicas nos estúdios Cargo em Rochdale. Os resultados foram apreciados por Wilson, mas não pela OMD. Ainda assim, após um breve debate entre a banda e Wilson, ele se comprometeu a lançar o single (em vinil) contendo a versão original de Electricity ​​no lado A e a versão de Almost, produzida por Zero, no lado B. 


É uma das canções mais populares e conhecidas da OMD, embora nunca tenha se tornado um hit em sua época. As três tentativas de torná-la um sucesso só alcançou a humilde (mas significativa para o grupo na época) 99ª posição, em 1979. Electricity apareceria depois no álbum de estréia da OMD e é regularmente apresentada em compilações da banda.


Esta canção foi inspirada pela música do The Teardrop Explodes Camera, Camera (1979) e pela música do Kraftwerk Radio-Activity (1975). 

Escute em alto e bom som!







Orchestral Manoeuvres in the Dark - 1980's
Orchestral Manoeuvres In The Dark

Bo.Bô - Bourgeois Bohême - Fall 2011

Volucer sugere looks com a nova coleção de outono- inverno 2011 da Bo.Bô


VOLUCER e BO.BÔ sugerem looks para o outono-inverno 2011. Inaugurada recentemente no shopping Buena Vista em Goiânia, a marca paulistana BO.BÔ - abreviação do termo Bourgeois Bohême - abastece a próxima estação com itens clássicos para um estilo casual descomplicado e imune a caretice. 


Confira a seguir as propostas da VOLUCER com as peças da marca.


Créditos:
FOTO: Carol Amaral
STYLING: Lê Nishimoto (VOLUCER) & Leandro Porto (VOLUCER)
MODELO: Raisa Theil (Global Models)
BELEZA: Rafael Cruz (Bellface Studio)






















Volucer Design no Flickr
Bo.Bô Bourgeois Bohême


sexta-feira, 11 de março de 2011

Dolce & Gabbana – Fall 2011-12

Os oitentismos de Madonna são inspiração literal para o feminino de Domenico e Stefano.

Por Marcellus Nishimoto



Ela continua mesmo grande referência quando se pensa em excessos de uma década emoldurada por yuppies e punks e góticos. Se nos anos 1970 o terno fit de Yves Saint Laureant dava poder as mulheres, nos 80 dava passagem para a alfaiataria retrô de Giorgio Armani e seus ombros poderosos com mangas dobradas. Era a energia over da geração X que, na falta de ídolos fortes que inspirassem aquela juventude pós Woodstock, buscou no modelo dos anos 50 o inconformado beatnik, as curvas de Marilyn Monroe e o estilo rebelde-sem-causa dos teddy boys uma imagem que se encaixasse num mundo tão resignado. E foi nas extravagâncias visuais de Madonna que a estética jovem encontrou quem revivesse o papel de novo romântico.

Criadora de músicas importantes da década de 1980, ao lado de Michael Jackson, a rainha do pop construiu um visual bem de acordo com os desejos dessa geração. A mulher poderosa de que se vestia de garoto para ter liberdade e voz ou o mimetismo da imagem curvilínea e frágil que Marilyn imortalizou nos sonhos dos homens. Madonna como camaleão, viveu essa ambiguidade e reproduziu em massa nos vídeos da MTV sua versão revisitada dos 50’s.

Dolce & Gabbana traz também para o inverno 2011-12 a dualidade de Madonna e seu guarda-roupa vintage de estrela pop. E o masculino e feminino ao mesmo tempo. Ela/ele do clip Open Your Heart (1986) e Ele/ela de Who’s That Gril (1987) são inspirações quase literais para a coleção. Calças de alfaiataria justas com cavalos baixos e com barras curtas em contraponto ao blazer comprido (ternos zoot); camisas brancas; vestidos-colete ou justos, drapeados, estrelados; casacos de paetê como cantores de Las Vegas; chapéus de aba curta Borsalino; stiletto com meias pretas; sapatos oxford; pochetes-bolsa; suspensórios; animal prints, notas musicais; rendas aplicadas sobre lã; pretos e brancos entremeados por pontos de rosa Pantone, amarelo-ovo e azul claro; Garotas-garotos como os 1950’s boysband e bombshells de lingeries aparentes.

Talvez literal demais a proposta da marca. Talvez repetitivo um tanto nos prints e shapes. Mas urbano e divertido se imaginarmos que meninas ficam tão a vontade vestidas de meninos. Senão garotinhos querendo ser homens.



Dolce & Gabbana - Fall 2011-12

Dolce & Gabbana - Fall 2011-12

Dolce & Gabbana - Fall 2011-12

Dolce & Gabbana - Fall 2011-12

Madonna - Open Your Heart - 1986
Madonna - 1987


Imagens: Divulgação/GoRunway.com

Adele e seu segundo (e ótimo) álbum 21

Adele lança disco mais maduro e amplia o repertório neo-soul de sua carreira.

Por Marcellus Nishimoto


Ganhadora de dois Grammys - Melhor Nova Artista e Melhor Performance Vocal Pop Feminino em 2009, a cantora britânica de 22 anos Adele segue como uma das grandes intérpretes de pegada neo-soul que surgiram nos últimos anos (nisso se incluem Amy Winehouse, Duffy, Mayer Hawthorne, Raphael Saadiq e Eli "Paperboy" Reed). Com o álbum inicial 19 intensas comparações de Adele foram feitas com a cantora de Rehab Amy Winehouse, entretanto o lançamento de 21 ocorrido no final de janeiro deste ano mostra que a cantora tem estilo próprio e segue com um trabalho mais maduro e forte tal qual o de artistas com mais tempo de estrada (Sharon Jones & The Dap Kings, Cee-Lo Green).

Em 21 a linguagem é mais pop e a potência da voz de Adele absorve influências do country e do gospel apreendidas em sua turnê americana do ano passado. A produção de Paul Epworth (Florence + The Machine) e de Rick Rubin (Linkin Park, Rage Against the Machine e Beastie Boys) propiciaram uma sonoridade mais madura e com maior personalidade colocando o álbum como um dos melhores do ano. Seu repertório é eclético com arranjos acertados sem excessos sonoros e efeitos pasteurizados. Fala sobre a memória, lembranças de amor, dos encontros e desencontros com refrões que ficam na mente e composições que serão hit certo. Um álbum que revigora a imagem de Adele e a coloca como uma forte cantora pop internacional.

E Adele acaba de emplacar dois singles no top 5 da parada britânica com Someone like you (primeiro lugar) e Rolling in the Deep, feito só alcançado anteriormente pelos Beatles. Enquanto 21 é o primeiro lugar da parada de álbuns no Reino Unido.

Ouviremos, e com bom grado, muito mais sobre Adele e sua grande voz.

Segundo álbum de Adele - Fev 2011


quinta-feira, 10 de março de 2011

Chanel – Fall 2011-12

Karl Lagerfeld masculiniza o inverno da tradicional casa francesa com suas garotas-menino.

Por Marcellus Nishimoto


É notório que mademoiselle Gabrielle Chanel libertou as mulheres ao adaptar o vestuário masculino às necessidades cotidianas do universo feminino. Estávamos no Entre-Guerras, era real a necessidade de mais força de trabalho nas fábricas e a revolução de comportamento da Belle Époque desenhava uma era de emancipação pronta para ser conquistada.

Karl Lagerfeld renova a imagem da casa Chanel ao buscar elementos também no guarda-roupa do homem. E essa influência tem datação clara: num certo período romântico tardio ou dos jovens britânicos de estilo mod do início da década de 1980. Uma época com pano de fundo musical criado por jovens melancólicos, senão existencialistas, da classe operária que incorporavam equipamentos eletrônicos e sintetizadores em suas composições. Bandas como Joy Division, Orchestral Manoeuvres in the Dark, The Smiths, dentre outros, vestiam-se como moços comportados de jeans, calças, camisas e gravatas, ternos mais largos, ombros caídos, cabelos curtos, quase beatniks, em contraponto aos seus pares punks e anarquistas. A onda boyish que cresce na moda internacional deixas as mulheres (digo, garotas) Chanel com um visual menos sofisticado, mas não menos fresh. A senhora de tailler de Lagerfeld dá lugar a jovem urbana e ironicamente rebelde ao se vestir como os garotos. Modelos de cabelos curtos, inspiradas por Emma Watson e Carey Mulligan lembram Twiggy modernas, masculinas e femininas, debochadas e frágeis ao mesmo tempo.

O jeans preto lavado, estonado, amassado, junto ao corpo, o comportamento garoto rebelde em polainas de lã sobre abotinados curtos de croco (mineiros de luxo). A dureza de macacões-smoking em tecido nobre rendado, bordado. Calças de alfaiataria de barras altas, dobradas. Minissaias largas sobre calcas skynning, leggings. Casacos em trapézio, maxi-pelerines, vestidos com silhueta 1920-30 e a feminilidade do kitten stiletto que aparece para quebrar o rigor masculino. Cinzas, pretos, bordeaux, gelo, brilhos discretos, tweed, lã, organza, crepes, rendas.

O costumeiro desfile espetáculo da Chanel fica, aqui, mais introspectivo sobre a passarela cinza margeada por pedras escuras, vulcânicas, floresta negra e com mulheres-meninos desfilando uma coleção intensa, não obstante urbana e cheia de jovialidade.

Chanel Fall 2011

Chanel Fall 2011

Chanel Fall 2011

Boyish boot em croco - Chanel Fall 2011

Kitten Stiletto - Chanel Fall 2011

Joy Division - 1979

Orchestral Manoeuvres in the Dark - 1980

The Smiths - 1985
Imagens: Divulgação/GoRunway.com

Prada - Fall 2011-12

Miuccia Prada mais uma vez faz desfile em que o sentimento de estranhamento inicial transforma-se em incrível percepção de edição e styling. 


Por Marcellus Nishimoto





Miuccia Prada nos trouxe uma versão diferente do passado. Acertando mais uma vez, a imagem "camp" e "tropical" da coleção anterior é substituída por referências a André Courrèges e ao futurismo quase minimalista dos anos 1960 como se fossem aeromoças espaciais de ficção (2001 de Stanley Kubrick). A cintura e casacos com golas de pele à 1920, maxi-botões e o tradicional "scottish tartan" em versão ampliada criam padrões gráficos que marcam a silhueta surpreendentemente. Os enormes paetês-escama que poderiam representar excesso trazem cores pastel-translúcidas servindo bem ao shape revisitado pela marca. Saias e vestidos plissados pontuam a coleção e fazem pares com os casacos-casulo tendo em destaque os de píton verde-oliva e cinza. As botas-sapato boneca em duas cores de píton criam ilusão sofisticada e seguem como hit certo. A cartela de cores percorre o bege, rosa, azul-claro, marfim, coral, bordeaux, verde-oliva e musgo, alaranjados e preto.
Como sempre, nada tão nostálgico e verdadeiramente novo tal qual a moda de Prada.


Prada - Fall 2011


Prada - Fall 2011


Bota-sapato em píton bicolor - Prada - Fall 2011
André Courrèges - 1960's


André Courrèges - 1960's


Fotos: Divulgação/GoRunway.com