sexta-feira, 11 de março de 2011

Adele e seu segundo (e ótimo) álbum 21

Adele lança disco mais maduro e amplia o repertório neo-soul de sua carreira.

Por Marcellus Nishimoto


Ganhadora de dois Grammys - Melhor Nova Artista e Melhor Performance Vocal Pop Feminino em 2009, a cantora britânica de 22 anos Adele segue como uma das grandes intérpretes de pegada neo-soul que surgiram nos últimos anos (nisso se incluem Amy Winehouse, Duffy, Mayer Hawthorne, Raphael Saadiq e Eli "Paperboy" Reed). Com o álbum inicial 19 intensas comparações de Adele foram feitas com a cantora de Rehab Amy Winehouse, entretanto o lançamento de 21 ocorrido no final de janeiro deste ano mostra que a cantora tem estilo próprio e segue com um trabalho mais maduro e forte tal qual o de artistas com mais tempo de estrada (Sharon Jones & The Dap Kings, Cee-Lo Green).

Em 21 a linguagem é mais pop e a potência da voz de Adele absorve influências do country e do gospel apreendidas em sua turnê americana do ano passado. A produção de Paul Epworth (Florence + The Machine) e de Rick Rubin (Linkin Park, Rage Against the Machine e Beastie Boys) propiciaram uma sonoridade mais madura e com maior personalidade colocando o álbum como um dos melhores do ano. Seu repertório é eclético com arranjos acertados sem excessos sonoros e efeitos pasteurizados. Fala sobre a memória, lembranças de amor, dos encontros e desencontros com refrões que ficam na mente e composições que serão hit certo. Um álbum que revigora a imagem de Adele e a coloca como uma forte cantora pop internacional.

E Adele acaba de emplacar dois singles no top 5 da parada britânica com Someone like you (primeiro lugar) e Rolling in the Deep, feito só alcançado anteriormente pelos Beatles. Enquanto 21 é o primeiro lugar da parada de álbuns no Reino Unido.

Ouviremos, e com bom grado, muito mais sobre Adele e sua grande voz.

Segundo álbum de Adele - Fev 2011


quinta-feira, 10 de março de 2011

Chanel – Fall 2011-12

Karl Lagerfeld masculiniza o inverno da tradicional casa francesa com suas garotas-menino.

Por Marcellus Nishimoto


É notório que mademoiselle Gabrielle Chanel libertou as mulheres ao adaptar o vestuário masculino às necessidades cotidianas do universo feminino. Estávamos no Entre-Guerras, era real a necessidade de mais força de trabalho nas fábricas e a revolução de comportamento da Belle Époque desenhava uma era de emancipação pronta para ser conquistada.

Karl Lagerfeld renova a imagem da casa Chanel ao buscar elementos também no guarda-roupa do homem. E essa influência tem datação clara: num certo período romântico tardio ou dos jovens britânicos de estilo mod do início da década de 1980. Uma época com pano de fundo musical criado por jovens melancólicos, senão existencialistas, da classe operária que incorporavam equipamentos eletrônicos e sintetizadores em suas composições. Bandas como Joy Division, Orchestral Manoeuvres in the Dark, The Smiths, dentre outros, vestiam-se como moços comportados de jeans, calças, camisas e gravatas, ternos mais largos, ombros caídos, cabelos curtos, quase beatniks, em contraponto aos seus pares punks e anarquistas. A onda boyish que cresce na moda internacional deixas as mulheres (digo, garotas) Chanel com um visual menos sofisticado, mas não menos fresh. A senhora de tailler de Lagerfeld dá lugar a jovem urbana e ironicamente rebelde ao se vestir como os garotos. Modelos de cabelos curtos, inspiradas por Emma Watson e Carey Mulligan lembram Twiggy modernas, masculinas e femininas, debochadas e frágeis ao mesmo tempo.

O jeans preto lavado, estonado, amassado, junto ao corpo, o comportamento garoto rebelde em polainas de lã sobre abotinados curtos de croco (mineiros de luxo). A dureza de macacões-smoking em tecido nobre rendado, bordado. Calças de alfaiataria de barras altas, dobradas. Minissaias largas sobre calcas skynning, leggings. Casacos em trapézio, maxi-pelerines, vestidos com silhueta 1920-30 e a feminilidade do kitten stiletto que aparece para quebrar o rigor masculino. Cinzas, pretos, bordeaux, gelo, brilhos discretos, tweed, lã, organza, crepes, rendas.

O costumeiro desfile espetáculo da Chanel fica, aqui, mais introspectivo sobre a passarela cinza margeada por pedras escuras, vulcânicas, floresta negra e com mulheres-meninos desfilando uma coleção intensa, não obstante urbana e cheia de jovialidade.

Chanel Fall 2011

Chanel Fall 2011

Chanel Fall 2011

Boyish boot em croco - Chanel Fall 2011

Kitten Stiletto - Chanel Fall 2011

Joy Division - 1979

Orchestral Manoeuvres in the Dark - 1980

The Smiths - 1985
Imagens: Divulgação/GoRunway.com

Prada - Fall 2011-12

Miuccia Prada mais uma vez faz desfile em que o sentimento de estranhamento inicial transforma-se em incrível percepção de edição e styling. 


Por Marcellus Nishimoto





Miuccia Prada nos trouxe uma versão diferente do passado. Acertando mais uma vez, a imagem "camp" e "tropical" da coleção anterior é substituída por referências a André Courrèges e ao futurismo quase minimalista dos anos 1960 como se fossem aeromoças espaciais de ficção (2001 de Stanley Kubrick). A cintura e casacos com golas de pele à 1920, maxi-botões e o tradicional "scottish tartan" em versão ampliada criam padrões gráficos que marcam a silhueta surpreendentemente. Os enormes paetês-escama que poderiam representar excesso trazem cores pastel-translúcidas servindo bem ao shape revisitado pela marca. Saias e vestidos plissados pontuam a coleção e fazem pares com os casacos-casulo tendo em destaque os de píton verde-oliva e cinza. As botas-sapato boneca em duas cores de píton criam ilusão sofisticada e seguem como hit certo. A cartela de cores percorre o bege, rosa, azul-claro, marfim, coral, bordeaux, verde-oliva e musgo, alaranjados e preto.
Como sempre, nada tão nostálgico e verdadeiramente novo tal qual a moda de Prada.


Prada - Fall 2011


Prada - Fall 2011


Bota-sapato em píton bicolor - Prada - Fall 2011
André Courrèges - 1960's


André Courrèges - 1960's


Fotos: Divulgação/GoRunway.com

Marc Jacobs e Louis Vuitton Fall 2011


Marc Jacobs faz sua volta ao tempo e une a sexualidade com os anos do Pós-Segunda-Guerra. 

Por Marcellus Nishimoto



Para as coleções de inverno 2011-12 da marca que leva seu nome e para a casa Louis Vuitton, Marc explora a figura sexy de cintura marcada do “New Look” de Christian Dior do fim dos anos 1940. Mas diferentemente da forma “A” das saias e vestidos da coleção de inverno passada da Louis Vuitton, a silhueta agora é próxima ao corpo. Para sua marca o aspecto retro-futurista vem na modelagem de alfaiataria uniformizada como se fossem pajens de hotel de luxo (os quepes presos à cabeça). Usa a combinação de materiais opacos com os brilhos de vinil e do lurex e renda misturados à lã. A saia lápis um palmo abaixo do joelho é a medida escolhida, casacos de ombro arredondado o shape definido. Nos pés botas de couro vinílico com saltos wedge de borracha branca de caráter esportivo. As estampas que percorrem toda a coleção são os tradicionais pois (pontos) em tamanhos exagerados e apresentados em inúmeras texturas. Nas mãos uma variedade de “doctor’s bags” em materiais brilhantes e opacos. 

Mas o clima fetichista encontra seu auge na coleção da Louis Vuitton para o inverno 2011-12. Marc Jacobs une a fantasia sadomaso com shape carregado de feminilidade de Dior ao compor formas exageradamente marcadas e sexuais. Algemas, luvas de couro, máscaras, sapatos de couro brilhante (quase látex) de salto altíssimo, calças de montaria, transparências, meias 7/8 formam o repertório inerente ao ambiente dominatrix a la Betty Page que Jacobs trabalha com luxo. A motorista, a empregada, a governanta, a estudante são embaladas na estética pin up dos anos 1940-50 com a cintura em corselet, os ombros marcados e a saia justa ao corpo. Destaque para as blusas e saias de maxi-paetês brilhantes, as clássicas bolsas-valise em trapézio invertido e os casacos florais brancos com aplicações em preto. A cartela de cores são preto, bordeaux, cinza, azul marinho, cereja, verde-musgo, camelo e lavanda em tecidos que vão do tweed, da lã, da musselina ao vinil, peles e veludo. Marc Jacobs vasculha o guarda-roupa do passado e constrói um presente mais uma vez cheio de desejo fashion. 




Louis Vuitton Fall 2011

Marc Jacobs Fall 2011

O famoso conjunto new look "Bar" de shantung de seda
com crepe de lã de Christian Dior - 1947

Revista Glamour 1952

Cristobal Balenciaga 1950

Modelo Dovima 1952

Pin up de Gil Elvgren - 1950's

Betty Page nos 1950's
Fotos: Divugação/GettyImages/GoRunway.com

quarta-feira, 9 de março de 2011

Maria Bonita Extra - Fall 2011

Styling proposto com as novas peças de lançamento da coleção Maria Bonita Extra - Fall 2011

VOLUCER esteve presente na semana de lançamento da coleção Fall 2011 da loja Maria Bonita Extra no Shopping Bougainville. Com as peças da nova coleção selecionamos aquelas que apostamos para essa temporada e sugerimos seis looks, confira: 

Créditos:
FOTO: Carol Amaral
STYLING: Leandro Porto e Lê Nishimoto
MODELO: Larissa Chiovato (Global Models)
BELEZA: Anne Bastos (Fátima Bastos)










Editorial Festa Acredita - Edição 3

Imagem rocker e naipe de cartas para a nova identidade da Festa Acredita.




A Festa Acredita organizada pelo estilista Marcos Queyroz e pelo jornalista e stylist Leandro Porto tem agora nova produção de imagem a cargo da Volucer Design. Unindo o visual rocker dos personagens da noite com o signo do Ás de Espadas os flyers da festa mostram a nova marca e o novo repertório gráfico proposto para as outras edições da Acredita. O Ás de Espadas como emblema do jogo e, por consequência, representação da probabilidade e da confiança no melhor resultado, tem elementos gráficos bem reconhecíveis e de fácil assimilação. Ele como elemento primordial, único, tal qual emblema de um clube seleto, um clube "A".
A visão rocker e fetichista fica proposta pelo styling de inspiração Teddy Boy + Punk, duas manifestações jovens da contra-cultura.


Créditos:
DESIGN E DIREÇÃO DE ARTE: Marcellus Nishimoto (VolucerDesign)
FOTO: Junior Moritz
STYLING: Leandro Porto (VolucerDesign) e Lê Nishimoto (VolucerDesign)
BELEZA: Diogo Fernandes
MODELOS: Raisa Theil (Global Models) e Danilo Magalhaes (Global Models)














Editorial Festa Mafuá 04 Fev 2011

Inspiração 70's para flyer da MAFUA #4 



A equipe Volucer teve como grande fonte de inspiração a imagem cheia de excessos da era glam disco da década de 1970 para compor o styling do flyer da Festa Mafuá que aconteceu no dia 04 de fevereiro de 2011. O uso do vermelho e da imagem de moda de Yves Saint Laureant tão revisitado pelos estilistas internacionais, criou a identidade perfeita para a composição.

Créditos:
Foto: Neilton Fernandes
Direção de arte: Marcellus Nishimoto (Volucer Design)
Styling: Leandro Porto (Volucer Design) e Lê Nishimoto (Volucer Design)
Beleza: Evando Filho